← Blog

Porque criámos a De Olho

Monitorização de uptime não é um problema por resolver. É um problema mal resolvido para quem gere sites de outras pessoas — e foi daí que partimos.

Há uma conversa que qualquer pessoa que gere sites de clientes já teve. Chega uma mensagem ao fim da tarde: “o site está em baixo”. E a resposta honesta, naquele segundo, é sempre a mesma — não sabias.

Não é falta de competência. É que descobrir que um site caiu é trabalho de máquina, e durante anos as ferramentas que fazem esse trabalho foram desenhadas para outra pessoa: para a equipa de infraestrutura de uma empresa grande, com um site só, e com alguém de serviço para receber o alerta.

Quem gere quinze sites de clientes diferentes tem um problema diferente. E é um problema de produto e não de tecnologia — a mecânica da monitorização de uptime é a parte trivial disto tudo.

O problema não é o alerta. É tudo à volta do alerta.

Detectar que um servidor não responde é, tecnicamente, trivial. Um pedido HTTP a cada minuto e um if. Não é aí que está a dificuldade.

A dificuldade está no que vem antes e depois:

  • Configurar quinze sites não pode demorar uma tarde. Se adicionar um cliente novo dá trabalho, não o vais adicionar.
  • O alerta tem de chegar onde já estás. Um email que aterra numa caixa que abres duas vezes por dia não é um alerta, é um registo histórico.
  • Falsos positivos custam credibilidade. Uma ferramenta que grita a cada soluço de rede é uma ferramenta que aprendes a ignorar — e no dia em que o alerta é verdadeiro, também o ignoras.
  • Tens de conseguir provar o que aconteceu. Quando o cliente pergunta se o site esteve em baixo no mês passado, “acho que não” não é resposta. Um histórico que consegues mostrar vale mais do que o alerta em si.

Nenhum destes é um problema de engenharia difícil. São todos problemas de produto — de decidir para quem estás a construir.

Para quem estamos a construir.

Para quem gere sites que não são seus. Freelancers e developers com uma carteira de clientes, agências digitais com trinta projectos em manutenção, e quem lançou um micro-SaaS e é simultaneamente o programador, o suporte e a pessoa de serviço às três da manhã.

É gente técnica. Não precisa que lhe expliquem o que é uptime, nem de um onboarding com sete ecrãs, nem de uma chamada com um comercial. Precisa de adicionar um URL, escolher onde quer ser avisada, e voltar ao trabalho.

E é gente sensível ao preço, porque monitorização é um custo fixo que se multiplica por cliente e que raramente se consegue facturar à parte.

Porque criámos a De Olho, em três decisões.

Três decisões que já tomámos e que não vamos mudar:

O plano gratuito é utilizável, não é uma demonstração. Se o plano grátis não serve para monitorizar a sério alguns sites, não é um plano gratuito — é um período experimental com outro nome.

O histórico não desaparece. Guardar registos é barato. Apagá-los ao fim de alguns dias para empurrar quem usa a ferramenta para um plano pago é uma decisão comercial disfarçada de limitação técnica.

Nada de compromissos que não conseguimos cumprir. Não vamos prometer verificações de vários pontos do mundo enquanto tivermos um servidor. Quando alargarmos, dizemos. Até lá, dizemos de onde verificamos.

Onde estamos.

A De Olho ainda não está lançada. Estamos a construir, e este site existe por duas razões: mostrar para onde vamos, e recolher os emails de quem quer ser avisado quando abrirmos.

Porque criámos a De Olho é só metade da história. A outra metade — o que já funciona hoje, o que ainda falta, quem está por trás disto e com que princípios tomamos as decisões — está toda na página sobre, incluindo a lista do que decidimos ao contrário e que não vamos mudar.

Entretanto, deixámos uma coisa a funcionar já — a ferramenta Está em baixo ou sou só eu?, que verifica um site à ordem, sem registo e sem custo. É uma fatia pequena do produto, mas é real e podes usá-la hoje.

Se isto te soa ao teu dia-a-dia, escrevemos pouco e só quando houver algo para dizer.